planta é um evento teatral, realizado por ocasião da x bienal de arquitetura de são paulo, apresentado dentro da sede da associação parque minhocão para ser assistido do lado de fora. a peça inicia-se no metrô marechal deodoro (linha 3-vermelha), saída albuquerque lins, e de lá o público é conduzido até a frente do apartamento no qual a peça acontecerá. as apresentações aconteceram nos dias 23, 24, 30 de novembro e 01 de dezembro.


EN Planta is a theatrical event, held on the occasion of the 10th Architecture Biennial of São Paulo, presented inside the headquarters of the Parque Minhocão Association to be watched from the outside. The play begins at the marechal deodoro subway (line 3-red), albuquerque lins exit, and from there the public is taken to the front of the apartment in which the play will take place. The presentations occurred on the 23rd, 24th, 30th of November and 1st of December.










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planta propõe ao público que acompanhe o cotidiano de um apartamento que se localiza na altura do minhocão. ao público, será proporcionada a experiência de voyerismo de quem é continuamente observado por motoristas e pedestres. quatro rotinas serão apresentadas em janelas diversas. na área de limpeza, um dos personagens tenta manter a roupa limpa, tarefa que parece impossível. na janela da sala, alguém prepara uma festa para si mesmo, mas nenhum convidado chega. no banheiro, uma rotina sucessiva de escovar os dentes, tirar a roupa, tomar banho é feita à exaustão, até que se confunda e comece a ser subvertida em ações descabidas para um banheiro. na varanda, uma mulher prepara um natal e acaba desenvolvendo uma dúbia relação de amor e sadismo com o peru.

são quatro histórias aparentemente desconexas de indivíduos que ocupam os cômodos com seus cotidianos. o apartamento, entretanto, está cercado por uma multidão. os personagens, ao tomarem conta desse fato, começam a se atrapalhar em suas rotinas e criam um vínculo entre as diversas janelas e ocupações, por personagens que não se conhecem, mas que compartilham do fato de serem continuamente atravessados pela cidade. a peça foi produzida por ocasião da X Bienal de Arquitetura, através de uma residência de um mês de um grupo composto por atores, escritores, dramaturgos e arquitetos, especialmente formado para a Bienal, na sede da Associação Parque Minhocão. a instituição, que abriga uma exposição sobre o High line de Nova York, também para a Bienal de Arquitetura, possui como mote a necessidade de que o Minhocão seja, a exemplo do High Line, transformado em um parque público. através da residência, atores e diretores começaram a propor ocupações em cada um dos cômodos que dialogassem com outras rotinas que observavam no Minhocão, dos vizinhos do prédio e dos outros prédios no entorno. atravessados pelo barulho do minhocão, produziram um texto e depois transformaram esse texto em linguagem corporal. a peça deveria ser silenciosa, decidiram, a única trilha sonora seria da cidade em ebulição embaixo e na frente deles. os carros e suas buzinas ocuparam o lugar da voz e da suas expressões.

além disso, como no apartamento acontecia uma exposição durante o dia, os ensaios só podiam ser realizados após às 17 horas, sendo que o espaço precisava estar sempre exatamente igual todos os dias. dessa forma, diariamente, a equipe ocupava e desocupava o apartamento, retirando de lá todas as construções que realizaram por ocasião dos ensaios.

esse movimento pendular de ocupação e desocupação do apartamento dialogava diretamente com a situação dos moradores de rua que se localizam embaixo do minhocão. relaciona-se, também, à própria condição dos moradores do Minhocão que, apesar de desejarem a construção do parque, temem uma eventual expulsão, motivada pela especulação imobiliária que resultará na supervalorização dos imóveis, obrigando os a se locomoverem para regiões mais baratas.

planta, assim, discute a ocupação e desocupação de espaços na cidade, quanto de nossas rotinas invade os vazios da cidade e quanto da cidade nos atravessa diariamente, em carros, buzinas, semáforos e olhares alheios. quanto tempo cabe em nossa casa? e o que dela vai ficar conosco? motivados por essas perguntas, o grupo convida os espectadores a acompanharem o resultado de seu processo criativo e a ocuparem os espaços abandonados do minhocão, experenciando a sensação de um minhocão voltado apenas a pedestres.

dramaturgia

planta

flyer
projeto gráfico: Gustavo Colombini

projeto planta (flyer)

programa
projeto gráfico: Leonardo Araujo

projeto planta (publicação)

página do projeto

projeto planta

clipping

A reflexão sobre o espaço público em Planta, Adolfo Caboclo - Não só o gato
Minhocão e apês nos arredores viram paisagem de peças teatrais, Gustavo Fioratti - Folha de São Paulo


ficha técnica

concepção, direção e textos: Gustavo Colombini e João Dias Turchi
elenco: Artur Abe, Florian Hauβ, Julia Monteiro e Vinicius Garcia Pires
arquitetos: Antonio Moncada Medina, Barbara Kanagusaka, Blanca Gomes Teran e Pablo
Santacana Lopez
direção de arte: Artur Abe
projeto gráfico: Gustavo Colombini
vídeo: Thomaz Marcondes
projeções: Andre Pollux
acompanhamento crítico e programa: Leonardo Araujo
são paulo/brasil