política de privacidade (2017) é um evento performativo criado pelos dramaturgos Gustavo Colombini e João Dias Turchi.

Os algoritmos são números, mas neles também se comporta uma estética. A comunicação é sempre estética. Os códigos binários do computador são uma língua e, como toda língua, essa também não é apenas objeto, mas sujeito das relações. Ela altera radicalmente o modo como nos comunicamos. Língua não é cenário, é a cena em si. Mesmo ao vivo, em voz alta, os algoritmos estão sempre entre dois corpos físicos.

Uma sala escura, cadeiras afastadas. Para entrar, você precisa dar seu número de telefone [seu nome não importa]. Ao entrar, um grupo de whatsapp em que todos ali foram adicionados está projetado em um telão. Como um anônimo, você também é adicionado e pode mandar o que quiser. A conversa em silêncio só é quebrada quando o administrador do grupo, sentado entre os demais, tem acesso a uma caixa de som e escolhe que áudio amplificar para a sala toda. Em que imagem clicar. Quem mais adicionar. Que pessoa do grupo expulsar e que tipo de comunidade ele gostaria de fomentar, dentro da tela, entre as pessoas sentadas ali. Ainda que se crie regras, é possível que as dinâmicas da comunicação saiam de controle.

política de privacidade é uma performance que pode durar infinitamente, em que pessoas são colocadas dentro de uma sala e devem se comunicar mediadas por um telão. Ainda que próximas umas das outras, conversam como anônimos, dentro dos seus códigos de programação, procurando traduzir uma experiência em linguagem mediada por códigos binários.

Estreou no Festival de Performance Atos de Fala (www.atosdefala.com.br), na edição AdF.crise (2017), com curadoria de Felipe Ribeiro e Cristina Becker. Também se apresentou no Festival EnArtes, em duas cidades da Bolívia - Sucre e La Paz.


EN política de privacidade [privacy policy] is a performance created by playwrights Gustavo Colombini and João Turchi.
Algorithms are numbers, but they also contain an aesthetic. Communication is always aesthetic. Computer binary codes are a language and, like every language, this is not just an object, but a subject of relationships. It radically changes the way we communicate. Language is not the scenery, it is the scene itself.

A dark room, chairs apart. To enter, you need to give your phone number [your name doesn't matter]. Upon entering, a group of whatsapp to which everyone was added is projected on a big screen. As an anonymous, you are also added and can send whatever you want. The silent conversation is only broken when the group administrator, seated among the others, has access to a speaker and chooses which audio to amplify for the whole room. Which image to click. Who else to add. What person in the group to expel and what kind of community would he like to foster, within the canvas, among the people sitting there. Even with these rules, it is possible that the dynamics of communication get out of control.

Privacy policy is a performance that can last forever, in which people are placed inside a room and must communicate mediated by a screen. Although close to each other, they talk anonymously, within their programming codes, trying to translate an experience into language mediated by binary codes.

Debuted at the Atos de Fala Performance Festival (www.atosdefala.com.br), in the AdF.crise edition (2017), curated by Felipe Ribeiro and Cristina Becker, the group also performed at the EnArtes Festival, at Sucre and La Paz (Bolívia).



︎ Registro fotográfico (dezembro/2017)
Créditos: Anette Carla Alencar














são paulo/brasil